Entre os livros e a bola, atletas focam nos estudos em tempo livre nas etapas

Aluno do curso de Gestão Desportiva na FACHA – Thiago Barbosa, que junto a seus parceiros de equipe Oscar e Val fazem uma verdadeira maratona para conciliar a vida de esportistas de vôlei de praia com faculdade ou curso técnico de olho no futuro

Por Gabriel FrickeDireto de Salvador, BA

Thiagão, vôlei de praia (Foto: Arquivo Pessoal)
Thiago estuda Direito Desportivo em seu tempo livre na etapa de Salvador (Foto: Arquivo Pessoal)

A vida deles é extremamente corrida. Fora as viagens para inúmeras competições, a preparação do vôlei de praia demanda muita dedicação dos atletas. Quando não estão na academia fazendo a parte física, estão nas areias treinando. Mas alguns dos esportistas ainda arrumam um tempinho na lotada agenda para o estudo. Preocupados com o futuro após o esporte, eles se capacitam em cursos técnicos ou universitários, seja presencial ou à distância. E o tempo livre nas etapas do Circuito Brasileiro, muitas vezes, é dedicado ao material didático. Thiago é um deles.

O carioca leva seus livros nas viagens e estudar no quarto. Para a última, neste fim de semana na Bahia, viajou com um de História do Esporte e outro de Direito Desportivo e tinha até dever de casa: uma resenha para a semana. Aos 31 anos, ele cursa o primeiro período de Gestão Desportiva em uma faculdade do Rio de Janeiro e conta estar bastante empolgado, já que, com sua formação, poderá se manter dentro esporte até após sua aposentadoria das quadras.

Thiago e seu Robertinho, companheiro de turma, na faculdade de gestão desportiva (Foto: Arquivo Pessoal)
Thiago e seu Robertinho, companheiro de turma, na faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)

– Adorava muito a área de exatas. Fiz Administração, mas parei. Esse me deixou motivado e faço com muita frequência. Tive a sorte de estar em uma turma muito unida e, quando perco, pego matéria com eles por email ou WhatsApp. Os professores são bem flexíveis. A Verônica, da aula de quinta, sabe que eu jogo e sempre dá uma aliviada. Por eu ser atleta, cobram minha dedicação e atenção. Me esforço muito para prestar atenção na aula, corro atrás, porque sei que vou precisar faltar.

Thiago também fez curso de idiomas, como inglês e francês, e afirma que foi importante até para sua carreira no vôlei de praia. Afinal, em torneios internacionais, consegue se comunicar com os outros atletas e a arbitragem. Seu parceiro Oscar também é estudante. O quarto dois dois nas etapas do Circuito Brasileiro é silencioso no tempo livre. Afinal, enquanto o primeiro lê seus livros, o segundo está no computador.

Oscar e Thiago (Foto: Paulo Frank / CBV)
Oscar e Thiago são parceiros em quadra no Circuito Brasileiro (Foto: Paulo Frank / CBV)

Ele cursa Administração à distância desde o início de 2012 e, atualmente, está no quarto período, mas com uma grade “louca” que tem matérias atrasadas de semestres anteriores e antecipadas de períodos futuros. Oscar diz que os estudos ajudam a limpar a mente durante os torneios.

– Vou encaixando como posso e me esforço para acompanhar tudo, é difícil, mas importante. Vivo do vôlei, mas um dia sei que, infelizmente, acaba. De alguns anos para cá, venho gostando muito (de estudar). (Além da faculdade), faço diversos cursos online, ganho conhecimento e acho que é bom por tirar o foco do vôlei. No momento de descanso, você lembra de algo que errou num jogo, e o estudo consegue desanuviar, tirar a pressão – explicou.

Oscar, vôlei de praia (Foto: Arquivo Pessoal)
Oscar faz faculdade à distância e sempre estuda no quarto nas etapas (Foto: Arquivo Pessoal)

O único problema para Oscar, que também curte investir no mercado de ações, é que, para se formar, a faculdade exige estágios. Até o momento, ele não conseguiu fazer nenhum, mas terá de dar um jeito no futuro.

– Não dá para cumprir de 4h a 6h em uma empresa no momento, mas meu foco, claro, é o vôlei. É de onde tiro o meu sustento, pago minhas coisas e até a faculdade com o que ganho aqui.

No feminino, a carioca Val é a representante dos atletas que estudam de olho no futuro. Aos 37 anos, faz curso técnico de segurança do trabalho, mas pretende ir à faculdade assim que encerrar esse no fim de novembro. A inspiração para a escolha do curso, segundo ela, foi o pai “faz-tudo”, que adorava fazer obras em casa. Assim como Thiago, a veterana, que joga com Ângela, também faz presencial, de segunda à sexta-feira.

– Jogo, volto para o hotel e estudo. Quando estou viajando precisa pegar uma declaração para mostrar que não estou passeando. Do contrário, sou reprovada. Fiquei parada (dos estudos) durante um bom tempo, mas agora não paro mais.