rio_2016 Entidade faz nova chamada para profissionais, de diferentes áreas, que queiram atuar na organização das Olimpíadas.

RIO — Quem sonha em trabalhar para os Jogos Olímpicos no Rio, pode atualizar o currículo: o Comitê Rio 2016, responsável pela organização do evento, anunciou a abertura de 340 novas vagas em diferentes áreas, para início neste primeiro trimestre. Até o fim do ano, serão contratadas mil pessoas para atuação durante o evento. A entidade já tem mil funcionários e, ao todo, funcionará com dois mil.

Segundo a organização, há vagas em todos os setores do Comitê, e a preferência é por mão de obra nacional. As áreas que devem aumentar o número de funcionários são a comercial (24), de engajamento (21), esportes (91), finanças (46), infraestrutura (82), operações (61) e setores gerais (14).

‘É um upgrade na minha carreira’

A maioria das vagas é mesmo para nível superior e o inglês é exigido na maior parte dos casos. Porém, há ocupações em que nem mesmo o idioma é pré-requisito fundamental, informa o diretor de Recursos Humanos do Comitê, Henrique Gonzalez. O importante mesmo, segundo ele, é o engajamento e a motivação em trabalhar nos Jogos:

— O mais importante, na hora de concorrer a estas posições, é a vontade de trabalhar, o sonho de abraçar a causa, que vai muito além do esporte. É a filosofia da inclusão, da inovação e de criar um ambiente de parceria e comunidade, em que todos ajudam uns aos outros, já que o evento funcionará apenas com a união de talentos.

Apesar de as vagas serem oferecidas por no máximo dois anos (após os jogos, o próprio Comitê será desligado), todas as contratações serão feitas através da CLT e seus benefícios. Mas, para Gonzalez, o prazo de validade do emprego não deve ser motivo de desmotivação. Pelo contrário. Segundo ele, funcionários que já estão trabalhando veem a experiência como uma “nova formação” e um diferencial no currículo.

— Organizar uma Olimpíada é algo fora de qualquer parâmetro, a experiência que você ganha aqui, o que aprende, é único e, apesar de ser focado nos Jogos, pode ser transposto para outras áreas. Muitos acreditam que os dois anos aqui equivalem a uma pós-graduação ou especialização.

É o caso da psicóloga Aline Lima, atualmente na função de coordenadora de voluntários do Comitê. Cargo, inclusive, que jamais pensou em ocupar na vida, já que nunca ouvira falar da função antes de começar a trabalhar na organização.

— Eu vim da iniciativa privada, tenho experiência em diferentes áreas e setores. Mas o que faço aqui é único, estou aprendendo muito. Lidar com voluntários já é uma inovação na minha carreira, já que é outro tipo de funcionário, outro esquema de atuação do profissional. Esta experiência é um upgrade no meu currículo e carreira.

As formações acadêmicas que mais oferecem oportunidades, segundo o Comitê, são relações internacionais, tecnologia, gerenciamento de projetos, hotelaria, alimentos e bebidas, transportes, comunicação e design, engenharia e arquitetura, esportes, finanças, logística, administração, gestão das instalações e Recursos Humanos.

Foco vai ser a inclusão social

Um dos principais critérios na hora de decidir a vaga será a capacidade de lidar com as diferenças, já que o convívio com culturas diversas será intenso, afirma Gonzalez. Além disso, um dos pilares dos Jogos, segundo o especialista, é a inclusão racial e social, o que também será avaliado na seleção. Pessoas com deficiência são incentivadas a participarem do processo seletivo:

— Até por termos os Jogos Paralímpicos, mas também por ser uma das nossas filosofias, incentivamos que pessoas com deficiências, físicas ou intelectuais, enviem currículos. E, muito além disso, queremos ter na nossa força de trabalho pessoas de todas as cores, gêneros, orientações sexuais e religiões.

Um projeto para quem busca desafios

A proposta de transformar a capital carioca em uma cidade mais preparada para receber deficientes foi o que atraiu o engenheiro Augusto Fernandes, coordenador de Acessibilidade da organização. Natural de Goiânia, há dois anos ele recebeu a proposta do Comitê e, em duas semanas, já desembarcava na cidade.

Como ex-praticante de basquete paralímpico, Fernandes afirma ser uma prova viva de que o esporte pode ser um agente transformador:

— A possibilidade de desenvolver projetos que tivessem a capacidade de, pelo menos, começar a transformação de uma cidade foi algo muito grande, que me motivou bastante. Acho que pessoas que acreditam na força de mudança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos são aquelas que vão aprender com a experiência. Para mim, essa é uma realização pessoal.

Engenharia é formação procurada

A engenharia, formação de Fernandes, aliás, é uma das carreiras com maior dificuldade em preencher as vagas do comitê, junto com arquitetura, gerenciamento de projetos e tecnologia, segundo a organização.

Para os interessados, o coordenador afirma que, entre os aspectos positivos da ocupação, está o acesso a tecnologias inovadoras e a ferramentas de organização, que, segundo ele, estão acima da média de qualquer mercado.

Juliana Nunes, recém-formada em engenharia de produção, é uma das candidatas que pretendem trabalhar junto com Fernandes. Ela conta que, assim que soube da abertura de vagas para os Jogos Olímpicos, se animou em participar do processo seletivo:

— Não veremos nada parecido com isso na minha geração e nem em uma geração futura. Tenho convicção de que vou aprender muito, pessoal e profissionalmente, pois vou lidar não só com pessoas diferentes, mas com um ambiente sem igual também.

Diretor de Recursos Humanos do Comitê, Henrique Gonzalez afirma, inclusive, que algumas funções são tão específicas dos Jogos que podem funcionar como uma “nova formação”. É o caso do cargo de “analista de testes de software (TI) em resultados de jogos”.

Gustavo Batalha trabalha exatamente neste setor, como gerente de resultados. Ele avisa que o nível de responsabilidade para quem desejar atuar no setor é alto, e os desafios são grandes, já que o padrão de exigência é total. Mas, se a pressão durante o trabalho pode ser cansativa, o especialista, que saiu do mercado privado para atuar especificamente para os Jogos, afirma que o acesso a um tipo de ocupação “completamente única” compensa.

— Temos dificuldades, claro, que são inerentes a qualquer posição e profissão. Mas você ser responsável, por exemplo, pelo placar de um jogo, que precisa sair com exatidão em segundos, é um desafio muito motivador. E, como o objetivo aqui não é ascensão na carreira, nem subir de posto, todos trabalham com parceria para o evento funcione perfeitamente — comenta Batalha.

Processo para voluntários é rígido

E a seleção de 2015 deve se estender também para os voluntários que desejam trabalhar durante os Jogos, nos mais diferentes setores. As inscrições para preencher os 70 mil postos em cerca de 500 funções se encerraram. Ainda assim, há uma lista de espera para quem perdeu o prazo mas continua sonhando em participar.

E quem está selecionando estes voluntários pertence a uma outra “classe” de voluntários: os “recrutadores”

— São eles que vão recrutar os voluntários efetivos dos Jogos, trabalhando nas sedes e nas competições propriamente ditas. Então, até mesmo para selecioná-los, de acordo com os requisitos do Comitê, precisamos ter um pessoal específico — conta Gonzalez.

Para os que vão participar do processo seletivo do voluntariado, o diretor conta que os critérios de seleção também são rígidos. Os recrutadores, segundo ele, são orientados a observar características interpessoais nos candidatos, como habilidade de lidar com as diferenças, além de flexibilidade.

— Os recrutadores passaram por um treinamento específico para observar bem estes aspectos, que muitas vezes não estão tão evidentes, mas existem.

Coordenadora da área, Aline Lima afirma que a seleção dos voluntários, na verdade, ocorre desde o início da organização do Jogos.

— Existe uma equipe de voluntários que selecionamos bem no começo, antes mesmo dos eventos-testes, que é exatamente o meu setor. A estrutura de uma Olimpíada não só é grande, como muito complexa. Quem entrar, precisa entender e gostar disso — finaliza.

Fonte: http://glo.bo/1DQ5dx0